Fator R é a conta que decide se a sua empresa de serviços paga o Simples Nacional pelo Anexo III, com alíquota inicial de 6%, ou pelo Anexo V, que começa em 15,5%. Ele divide a folha de salários dos últimos 12 meses pela receita bruta do mesmo período: com 28% ou mais, a empresa fica no Anexo III.
A regra está no art. 18 da Lei Complementar 123/2006 e alcança 24 grupos de atividades, de consultoria a odontologia.
O que é o Fator R no Simples Nacional?
É a razão entre o que a empresa paga para remunerar pessoas e o que ela fatura. O nome vem da letra "r" que a Resolução CGSN 140/2018, norma do Comitê Gestor do Simples Nacional, usa no art. 26 para essa razão.
Quem tem folha alta paga o Anexo III. Quem fatura muito e remunera pouco vai para o Anexo V, que custa mais que o dobro na primeira faixa. Veja as duas tabelas lado a lado:
| Receita em 12 meses | Anexo III: alíquota e dedução | Anexo V: alíquota e dedução |
|---|---|---|
| Até R$ 180 mil | 6% e R$ 0 | 15,5% e R$ 0 |
| R$ 180 mil a R$ 360 mil | 11,2% e R$ 9.360 | 18% e R$ 4.500 |
| R$ 360 mil a R$ 720 mil | 13,5% e R$ 17.640 | 19,5% e R$ 9.900 |
| R$ 720 mil a R$ 1,8 milhão | 16% e R$ 35.640 | 20,5% e R$ 17.100 |
| R$ 1,8 milhão a R$ 3,6 milhões | 21% e R$ 125.640 | 23% e R$ 62.100 |
| R$ 3,6 milhões a R$ 4,8 milhões | 33% e R$ 648.000 | 30,5% e R$ 540.000 |
Fonte: Anexos III e V da Lei Complementar 123/2006. A dedução é a parcela fixa que entra na conta da alíquota efetiva, explicada mais abaixo. Para os outros anexos, veja a tabela completa do Simples Nacional.
Quais atividades estão sujeitas ao Fator R?
São serviços de natureza intelectual, técnica ou de saúde listados no art. 25, § 1º, V, da Resolução CGSN 140/2018. Os principais grupos:
| Área | Atividades |
|---|---|
| Saúde | Medicina, enfermagem, odontologia, fisioterapia, psicologia, psicanálise, nutrição, fonoaudiologia, medicina veterinária, laboratórios e diagnóstico por imagem |
| Tecnologia | Desenvolvimento e licenciamento de programas, criação e manutenção de sites |
| Gestão | Consultoria, auditoria, economia, gestão, administração, perícia, leilão e avaliação |
| Comunicação e vendas | Publicidade, jornalismo, agenciamento, representação comercial e intermediação de negócios |
| Engenharia e projetos | Engenharia, arquitetura e urbanismo, design, topografia, agronomia e análises técnicas |
| Outras | Academias, escolas de esportes, administração de imóveis de terceiros, tradução, despachantes e montagem de estandes |
A lista fecha com uma regra geral: outros serviços de atividade intelectual, técnica, científica, desportiva, artística ou cultural também entram, mesmo sem profissão regulamentada. Vale o serviço que você presta, não só o código de atividade escrito no CNPJ.
Como calcular o Fator R?
Some a folha dos 12 meses anteriores ao mês de apuração e divida pela receita bruta dos mesmos 12 meses. O resultado em percentual define o anexo daquele mês.
No PGDAS-D, o sistema onde você calcula o DAS todo mês, a Receita pede a folha de cada um dos 12 meses anteriores e faz a divisão sozinha, segundo o manual do PGDAS-D. Se você informar a folha errada, o anexo também sai errado, e a retificação muda o valor devido.
Um atalho para planejar: o pró-labore mais os salários precisam somar pelo menos 28% da receita mensal média. Quem fatura R$ 20 mil por mês precisa de R$ 5.600 de folha por mês, em média.
Quanto a empresa economiza com o Fator R?
Na faixa de R$ 180 mil a R$ 360 mil, a diferença passa de 8 pontos percentuais da receita. Veja um exemplo: uma agência de publicidade com 1 sócio, sem funcionários, que fatura R$ 25 mil por mês, ou R$ 300 mil em 12 meses.
A alíquota efetiva sai da fórmula da lei: receita de 12 meses vezes a alíquota da faixa, menos a dedução, dividido pela receita de 12 meses. No Anexo V, (R$ 300.000 × 18% − R$ 4.500) ÷ R$ 300.000 dá 16,5%. No Anexo III, (R$ 300.000 × 11,2% − R$ 9.360) ÷ R$ 300.000 dá 8,08%.
O exemplo usa 11% de INSS sobre o pró-labore, até o teto de R$ 8.475,55 fixado pela Portaria Interministerial MPS/MF 13/2026, e o IR pela tabela de 2026 da Receita Federal, com a redução para quem recebe até R$ 7.350. O que o sócio deixa de tirar como pró-labore ele retira como lucro, que em regra é isento de IR no Simples. Veja como definir esse valor no guia de pró-labore.
Quando subir o pró-labore não compensa?
Quando o INSS e o IR do pró-labore maior passam a custar mais que a diferença no DAS. Com 1 sócio e nenhum funcionário, isso acontece perto de R$ 61 mil de faturamento por mês: o pró-labore necessário passa de R$ 17 mil, cai na alíquota de 27,5% do IR e engole a economia.
| Receita por mês | Pró-labore para 28% | Economia por mês |
|---|---|---|
| R$ 10 mil | R$ 2.800 | R$ 820,31 |
| R$ 15 mil | R$ 4.200 | R$ 1.141,31 |
| R$ 25 mil | R$ 7.000 | R$ 755,39 |
| R$ 40 mil | R$ 11.200 | R$ 376,12 |
| R$ 60 mil | R$ 16.800 | R$ 36,12 |
| R$ 80 mil | R$ 22.400 | Prejuízo de R$ 603,88 |
Simulação da InfinitePay com 1 sócio, sem funcionários, partindo de pró-labore de R$ 1.621, com as tabelas de 2026. A recomendação: até R$ 40 mil por mês, suba o pró-labore até os 28% sem medo. Entre R$ 40 mil e R$ 60 mil, a economia encolhe e vale dividir o pró-labore entre sócios, porque cada um tem a própria faixa de isenção de IR. Acima de R$ 60 mil, o Fator R só compensa com funcionários na folha, e aí é hora de comparar o Simples com o Lucro Presumido.
Contratar também eleva o Fator R, mas o funcionário custa bem mais que o salário. Antes de usar a contratação como estratégia, simule o valor total na calculadora de custo de funcionário e veja os encargos no artigo sobre custo de funcionário.
Como fica o Fator R de uma empresa nova?
Em 2026, o mês de abertura tem regra própria, prevista no art. 26, § 6º, da Resolução CGSN 140/2018:
Quem abre a empresa já pagando pró-labore começa no Anexo III. Quem fatura sem folha começa no Anexo V e só sai de lá quando a média de folha alcançar 28% da média de receita.
O que muda no Fator R em 2027?
A Resolução CGSN 190/2026, publicada em 10 de agosto de 2026, muda o cálculo a partir de 1º de janeiro de 2027:
O efeito prático: um aumento de pró-labore em dezembro de 2026 só começa a pesar no Fator R da apuração de fevereiro de 2027. A Receita detalha a nova janela nas Perguntas e Respostas do Simples Nacional.
Como manter o Fator R acima de 28%?
Trate o pró-labore como salário fixo, não como sobra de caixa. A janela de 12 meses anda todo mês, então um mês com folha baixa puxa a média para baixo por um ano inteiro.
Leve a simulação ao seu contador antes de mudar o pró-labore. Ele confere se a sua atividade está mesmo na lista e se há outros custos na folha que mudam a conta.
Este artigo é atualizado quando o Comitê Gestor do Simples Nacional muda as regras do Fator R. Última revisão: outubro de 2026.










