O que é fluxo de caixa: tipos, como fazer e calcular

Fluxo de caixa é o registro do dinheiro que entra e sai do negócio. Veja os 6 tipos, como fazer o seu em 5 passos, a fórmula do saldo e os erros comuns.

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Samyra Mota

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Dona de cafeteria anota entradas e saídas do caixa em um caderno ao lado do notebook

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Resumo do artigo
  • Fluxo de caixa é o registro do dinheiro que entra e sai do negócio, com o saldo que sobra no fim.
  • Ele conta o dinheiro na data em que mexe na conta, por isso pode faltar caixa mesmo com lucro.
  • Existem 6 tipos; no dia a dia, os mais úteis são o direto e o projetado.
  • A fórmula é saldo final = saldo inicial + entradas menos saídas, aplicada por dia, semana ou mês.
  • Separar contas pessoais e da empresa e lançar vendas no cartão na data do repasse evita erros.

Fluxo de caixa é o registro de todo o dinheiro que entra e sai do seu negócio em um período, com o saldo que sobra no fim. É ele que responde à pergunta mais importante da semana: vai ter dinheiro na conta para pagar o fornecedor na sexta?

Quem não acompanha esse número costuma descobrir o problema tarde. Segundo o IBGE, só 37,3% das empresas empregadoras abertas em 2017 continuavam ativas cinco anos depois. A seguir, você vê o conceito, os 6 tipos de fluxo de caixa, como montar o seu em 5 passos e como calcular o saldo. Os passos funcionam no caderno ou na planilha gratuita da InfinitePay, que já traz as fórmulas de saldo prontas.

O que é fluxo de caixa?

Fluxo de caixa é o controle das entradas (vendas recebidas, pagamentos de clientes, empréstimos) e das saídas (fornecedores, aluguel, salários, impostos, pró-labore) de dinheiro, organizado por data. O Sebrae o define como o instrumento que mostra a disponibilidade real de recursos da empresa ao longo do tempo.

A palavra-chave é "real". O fluxo de caixa segue o regime de caixa: a venda entra no dia em que o dinheiro cai na conta, e não no dia em que foi feita. Uma venda de R$ 1.000 no crédito, com repasse em 30 dias, só entra no fluxo de caixa daqui a 30 dias. Até lá, ela fica em contas a receber.

Como funciona o fluxo de caixa na prática?

O ciclo tem três movimentos: você parte do saldo que existe hoje, registra cada entrada e cada saída conforme acontecem e, no fim do período, chega ao novo saldo. Resultado positivo quer dizer que entrou mais do que saiu; negativo, o contrário. Repetido todo dia ou toda semana, esse registro mostra com antecedência quando o caixa vai apertar.

Qual a diferença entre fluxo de caixa e lucro?

Lucro é o que sobra das vendas depois dos custos, contado pela data da venda. Caixa é o dinheiro disponível, contado pela data do pagamento. Uma loja que vende R$ 30.000 no mês, quase tudo parcelado no cartão, pode ter lucro no papel e não ter dinheiro para pagar o aluguel no dia 5. É por isso que o fluxo de caixa e o capital de giro andam juntos.

Por que o fluxo de caixa é importante?

Planejamento curto aparece entre as causas de fechamento. Na pesquisa de sobrevivência do Sebrae, 17% dos donos de empresas que fecharam disseram não ter feito nenhum planejamento, e 59% planejaram por no máximo 6 meses. No comércio, 30,2% dos negócios fecham em até 5 anos. Com o fluxo de caixa em dia, você:

  • Antecipa o aperto: vê a semana em que o saldo fica negativo e negocia prazo antes do vencimento
  • Decide com número: sabe se dá para comprar estoque, contratar ou investir sem descobrir o rombo depois
  • Evita crédito caro: pede empréstimo só quando necessário, e não no desespero
  • Negocia melhor: conhece suas datas de recebimento e alinha a elas os vencimentos de contas a pagar

Quais são os tipos de fluxo de caixa?

Existem 6 tipos de fluxo de caixa. Cada um responde a uma pergunta diferente, e um pequeno negócio usa no dia a dia basicamente dois: o direto e o projetado.

Infográfico com os 6 tipos de fluxo de caixa: operacional, direto, indireto, projetado, livre e descontado
TipoO que medeQuem usa
OperacionalO caixa gerado pelas atividades principaisTodo negócio, para saber se a operação se paga
DiretoCada entrada e saída real de dinheiroDonos de pequenos negócios, no dia a dia
IndiretoParte do lucro e ajusta o que não é dinheiroContadores, na DFC
ProjetadoEntradas e saídas previstas para os próximos mesesQuem planeja compras, contratações e sazonalidade
LivreO que sobra depois da operação e dos investimentosQuem decide sobre dívidas, retiradas ou expansão
DescontadoO valor presente do caixa futuroInvestidores e quem compra ou vende uma empresa

Fluxo de caixa operacional

Mede o dinheiro das atividades principais: vendas, fornecedores, salários, impostos e despesas fixas. Positivo, a operação se sustenta sozinha. Negativo por meses seguidos, o negócio depende de empréstimo ou de aporte do dono para continuar.

Fluxo de caixa direto e indireto

São duas formas de chegar ao mesmo saldo. O método direto lista cada recebimento e cada pagamento; é o que você faz quando anota as vendas do dia e as contas pagas. O indireto parte do lucro contábil e ajusta o que não mexeu no caixa, como depreciação e vendas ainda não recebidas. Os dois aparecem na Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC), o relatório contábil anual.

Fluxo de caixa projetado

Estima as entradas e saídas das próximas semanas ou meses, com base no histórico e nos compromissos já assumidos: parcelas a receber, aluguel, folha, impostos, compras de estoque. É o tipo que mostra, em outubro, que janeiro vai ser apertado. A projeção só é boa se o registro do realizado for consistente.

Fluxo de caixa livre

Mostra quanto sobra depois de pagar a operação e os investimentos em equipamentos, reformas ou sistemas. É o dinheiro que pode ir para quitar dívidas, retirar lucro ou crescer sem pôr a operação em risco.

Fluxo de caixa descontado

Traz o caixa que a empresa deve gerar no futuro para o valor de hoje, aplicando uma taxa de desconto que reflete o risco. É o método mais comum para calcular quanto vale um negócio e entra em cena quando você busca sócio, investidor ou pensa em vender a empresa.

Como fazer fluxo de caixa passo a passo?

O Sebrae orienta registrar todas as movimentações, mesmo as que parecem pequenas, porque gastos miúdos repetidos pesam no fim do mês. Na prática, são 5 passos:

1. Anote o saldo inicial

Some o que há hoje na conta da empresa e no caixa físico. Esse é o ponto de partida; sem ele, você sabe o resultado do período, mas não quanto dinheiro tem.

2. Registre cada entrada e saída na data em que o dinheiro se move

Cada lançamento leva data, descrição, categoria, valor e forma de pagamento. A venda no Pix entra no dia; a venda no crédito entra na data do repasse; o boleto do fornecedor sai no dia em que é pago. Para conferir se o registrado bate com o banco, faça a conciliação bancária.

3. Separe por categorias

Categorias fixas permitem comparar meses e ver o que cresce. Um ponto de partida:

  • Entradas: vendas à vista (dinheiro, Pix, débito), repasses do cartão de crédito, boletos recebidos, empréstimos
  • Saídas: fornecedores e estoque, folha e encargos, aluguel e contas fixas, impostos, marketing e frete, pró-labore

Deixe o empréstimo numa linha própria, para que o dinheiro emprestado não pareça venda.

4. Escolha a periodicidade

Quem vende todo dia, como comércio e alimentação, acompanha melhor dia a dia, com o fechamento de caixa no fim do expediente. Prestadores de serviço com poucas movimentações podem olhar por semana. A visão mensal e a anual servem para enxergar sazonalidade e planejar. A planilha de fluxo de caixa da InfinitePay tem abas para a semana, o mês e os dois semestres, o que permite combinar os três olhares no mesmo arquivo.

5. Compare o previsto com o realizado

Para cada período, anote o que você espera receber e pagar (previsto) e, depois, o que de fato aconteceu (realizado). Realizado abaixo do previsto por semanas seguidas indica previsão otimista ou cliente atrasando; saídas acima do previsto indicam gasto fora do plano. É essa comparação que transforma o registro em orçamento. Num modelo de planilha com previsto e realizado, as duas colunas ficam lado a lado em cada dia, semana ou mês, e a diferença salta aos olhos.

Como calcular o fluxo de caixa?

A fórmula do fluxo de caixa é:

Saldo final = saldo inicial + entradas menos saídas

Fórmula do fluxo de caixa: saldo inicial mais entradas menos saídas é igual ao saldo final

Veja a conta em três dias de uma loja que começa a semana com R$ 3.000 na conta:

DiaEntradasSaídasSaldo final
SegundaR$ 1.200 (vendas no Pix)R$ 800 (fornecedor)R$ 3.400
TerçaR$ 950 (repasse do cartão)R$ 280 (conta de luz)R$ 4.070
QuartaR$ 1.100 (vendas no Pix)R$ 82,05 (DAS do MEI)R$ 5.087,95

O DAS de R$ 82,05 é o valor de 2026 para MEI do comércio, segundo o gov.br. Saldo crescente mostra que o negócio gera caixa; resultado negativo repetido mostra que é preciso rever prazos, preços ou custos. Para ver a conta completa em uma padaria, uma loja de roupas, uma consultoria e um MEI, confira os exemplos de fluxo de caixa diário, semanal e mensal.

Quais erros comprometem o fluxo de caixa?

A FecomercioSP lista erros que se repetem nos pequenos negócios. Os mais comuns:

  • Misturar contas pessoais e da empresa: o mercado do mês sai do caixa do negócio e o saldo deixa de dizer a verdade. Separe as contas e defina um pró-labore fixo.
  • Lançar venda a prazo como dinheiro recebido: o saldo fica inflado até o dia em que o repasse não chega.
  • Atualizar só no fim do mês: lançamentos de memória deixam valores de fora e o problema aparece tarde demais para reagir.
  • Não ter categorias: sem elas, não dá para saber qual despesa cresceu.
  • Não ter reserva: uma queda de vendas ou um equipamento quebrado viram dívida.

Um hábito resolve boa parte: separar 15 minutos por dia para lançar as movimentações e olhar o saldo previsto dos próximos 7 e 30 dias. Para organizar o restante das finanças, veja o guia de controle financeiro.

Planilha, ferramenta online ou sistema: qual usar?

Para quem está começando, uma planilha de fluxo de caixa resolve: é gratuita, fica no seu computador e dá liberdade para mudar linhas e categorias. Quem prefere lançar pelo celular pode usar a ferramenta online de fluxo de caixa, também gratuita. Quando o volume cresce e o negócio precisa de nota fiscal, estoque e conciliação no mesmo lugar, compare os sistemas de fluxo de caixa.

Seja qual for a ferramenta, o que faz o fluxo de caixa funcionar é a rotina: registrar todo dia, comparar previsto e realizado toda semana e usar a projeção para decidir. Esse é o primeiro passo do planejamento estratégico de qualquer negócio.

Perguntas frequentes

O que é fluxo de caixa de uma empresa?

É o registro de todo o dinheiro que entra e sai da empresa em um período, com o saldo que sobra no fim. Ele mostra se o negócio tem dinheiro para pagar as contas na data certa. Diferente do lucro, que considera a data da venda, o fluxo de caixa considera a data em que o dinheiro entra ou sai da conta.

Quais são os principais tipos de fluxo de caixa?

São seis: operacional, direto, indireto, projetado, livre e descontado. No dia a dia de um pequeno negócio, os que importam são o direto, que registra cada entrada e saída real, e o projetado, que estima os próximos meses. Os outros servem mais para contabilidade, investidores e avaliação de empresas.

Como fazer um fluxo de caixa simples?

Anote o saldo que há hoje na conta e no caixa. Depois, registre cada entrada e cada saída com data, descrição e valor, no dia em que o dinheiro se move. No fim do dia ou da semana, some as entradas, subtraia as saídas e some o resultado ao saldo inicial para chegar ao saldo final.

Como calcular o fluxo de caixa de uma empresa?

Use a fórmula saldo final = saldo inicial + entradas menos saídas. Some tudo o que entrou no período, subtraia tudo o que saiu e acrescente o saldo com que o período começou. Resultado negativo no período quer dizer que saiu mais do que entrou, mesmo que o saldo final ainda seja positivo.

Quais são os 4 itens principais de um fluxo de caixa?

Entradas, saídas, resultado do período e saldo acumulado. As entradas são vendas e recebimentos; as saídas, despesas e pagamentos; o resultado é a diferença entre as duas; e o saldo acumulado é esse resultado somado ao saldo com que o período começou.

Qual a diferença entre fluxo de caixa e DFC?

O fluxo de caixa é a ferramenta de gestão do dia a dia, feita com a frequência que o dono quiser. A DFC, Demonstração dos Fluxos de Caixa, é um relatório contábil anual que separa o caixa em atividades operacionais, de investimento e de financiamento. Pela Lei das S.A., a companhia fechada com patrimônio líquido abaixo de R$ 2 milhões não é obrigada a fazer a DFC.

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